Sangramento digestivo: causas, gravidade e como é feito o tratamento

A presença de sangue nas fezes nunca é algo normal. Mesmo quando aparece em pequena quantidade, ele indica que algo no trato gastrointestinal não está funcionando como deveria – e, por isso, nunca se deve ignorar esse sintoma.

O sangramento gastrointestinal pode ter diversas causas. Enquanto algumas são simples e benignas, outras exigem diagnóstico rápido e tratamento imediato.

Entenda abaixo como o sangramento digestivo acontece, quais as possíveis causas, os sinais de alerta e como o cirurgião do aparelho digestivo pode tratar esse problema em diferentes cenários.

O que é sangramento digestivo

Sangramento digestivo engloba qualquer perda de sangue que acontece em algum ponto do trato gastrointestinal. Isso inclui esôfago, estômago, intestino delgado, cólon, reto e ânus. Ele não é uma doença, mas sim um sintoma.

O paciente pode perceber esse problema de diferentes formas. Seja ao notar sangue nas fezes ou apresentando vômito com sangue (sintoma conhecido como hematêmese). Quando ocorre uma perda de sangue volumosa, podem ainda surgir sintomas como tontura, fraqueza ou até desmaio.

Os sangramentos do trato gastrointestinal são classificados como:

  • Hemorragia digestiva alta: quando originado no esôfago, estômago ou duodeno
  • Hemorragia digestiva baixa: quando originado do intestino delgado, cólon ou reto

Essa diferenciação é fundamental porque orienta a investigação, as possíveis causas, o diagnóstico e o tratamento.

Ignorar esse sintoma ou tentar tratá-lo em casa é extremamente contraindicado, pois são necessários exames endoscópicos para avaliar a causa e tratá-la. Em casos mais graves, pode haver também a necessidade de transfusão de sangue. Portanto quanto mais precoce ocorrer a busca ao auxílio médico, maior a chance de sucesso no tratamento e menor o risco para o paciente.

Tipos de sangramento digestivo: diferenças entre alto e baixo

Como vimos anteriormente, os sangramentos digestivos se dividem em dois grupos: a hemorragia digestiva alta (HDA) e a hemorragia digestiva baixa (HDB), a depender do local de origem do sangramento.

Essa divisão é importante, pois os sintomas apresentados em cada uma delas são diferentes, independentemente da causa que gerou eles e sua correta interpretação leva à suspeita diagnóstica, evitando a realização de exames desnecessários.

Os principais sintomas são:

  • Hematêmese: presença de vômitos com sangue;
  • Melena: presença de fezes escurecidas e mal cheirosas;
  • Enterorragia: presença de sangue vermelho vivo nas fezes;
  • Hematoquezia: presença de raias de sangue nas fezes, ou no papel higiênico.

Os sangramentos altos tem como sintomas mais comuns a hematêmese e melena, enquanto os sangramentos baixos tendem a cursar com enteroragia. Já a hematoquesia é mais comum em doenças orificiais (do ânus).

A identificação correta do tipo ajuda a definir quais exames solicitar e qual abordagem seguir – e, por isso, é essencial que o paciente relate tudo o que sente ao buscar um médico.

Principais causas de sangramento digestivo

O sangramento pode acontecer por diversos motivos que vão de causas benignas, como hemorroidas, até quadros mais complexos, como os de câncer. Entre as principais, é possível citar:

Hemorroidas e fissuras anais

Estas são condições relativamente simples, mas que podem causar sangramento. As hemorroidas são veias dilatadas na região do ânus e do reto, enquanto as fissuras são pequenas feridas na mucosa anal, que ocorrem por fezes muito duras ou trauma local.

Nesses casos, o sangramento costuma se apresentar com hematoquezia. Apesar de geralmente benignas, essas condições precisam da devida avaliação.

Úlceras gástricas e duodenais

A úlcera é uma das doenças que afetam o estômago caracterizada por feridas abertas na mucosa desse órgão. Elas têm diversas causas e podem, também, ocasionar o sangramento digestivo. Nesses casos, o sangramento aparece como melena ou como vômito com sangue. Esse quadro exige intervenção imediata.

Gastrite erosiva

Essa inflamação intensa da mucosa do estômago também pode provocar pequenos sangramentos.

Pólipos intestinais

Esses crescimentos anormais na mucosa do intestino conhecidos como pólipos, são geralmente benignos e podem sangrar de forma discreta e crônica, não visível ao olho nu e provocar sintomas, como a anemia ferropriva. Todo pólipo, independente de sintomas, deve ser retirado, pois existe o risco de malignização.

Câncer no sistema digestivo

Câncer colorretal, de estômago e de esôfago podem, todos, provocar sangramento digestivo. Isso ocorre especialmente quando o câncer digestivo ulcera (ou seja, forma uma ferida) ou invade vasos sanguíneos.

Quando provocam sangramentos, os cânceres de esôfago e estômago costumam causar vômito com sangue. Além disso, ambos podem provocar melena, enquanto o câncer colorretal pode apresentar enterorragia, ou sangramento discreto e não visível ao olho nu (sangue oculto nas fezes), levando a quadros de anemia ferropriva.

Doença diverticular dos cólons

A diverticulose é caracterizada pela formação de pequenas bolsas na parede do intestino. Essas bolsas podem sangrar de forma súbita e volumosa.

Doença inflamatória intestinal (retocolite ulcerativa e doença de Crohn)

Essas doenças autoimunes crônicas causam inflamação no intestino e podem provocar diarreia com sangue, além de dor abdominal e perda de peso.

Varizes esofágicas

Varizes esofágicas são veias dilatadas no esôfago, o que ocorre quando há uma hipertensão do sistema portal (sistema que leva o sangue dos intestinos e do baço, para o fígado), mais comumente decorrente de cirrose hepática. Ela também pode causar sangramento digestivo, visto na maioria das vezes como hematêmese e/ou melena.

Angiodisplasia

É uma malformação dos vasos sanguíneos, da mucosa e submucosa, do trato gastrointestinal e pode ocorrer em qualquer ponto dele. É mais comum em idosos e também pode provocar sangramento digestivo recorrente e intermitente.

Sinais de alerta e gravidade do quadro

Alguns sintomas, quando presentes, podem indicar perda significativa de sangue e maior gravidade do quadro, indicando que a busca por um serviço de saúde dever ser imediata. São eles:

  • Fraqueza;
  • Tontura ou desmaio;
  • Hipotensão (pressão baixa);
  • Dor abdominal intensa.

Diagnóstico

Quando o paciente chega em uma consulta (seja ambulatorial ou de urgência), relatando a presença de sangramento digestivo, ele passa por uma anamnese e um exame físico detalhados, com intuito de obter todas as informações necessárias, para avaliar a causa e a gravidade do quadro. Após isso são solicitados os exames complementares.

Os principais exames incluem:

  • Exames laboratoriais: dentre eles o hemograma, para estimar a perda sanguínea e definir a necessidade de transfusões;
  • **Endoscopia** digestiva alta: permite visualizar o esôfago, o estômago e o duodeno;
  • **Colonoscopia:** avalia o intestino grosso e o reto;
  • Angiotomografia ou arteriografia: quando os exames endoscópicos não definem uma causa e o local de sangramento, podem ser utilizados esses exames, que conseguem visualizar sangramentos ativos.

Os exames complementares são solicitados de acordo com as informações obtidas na anamnese e no exame físico, nem todo quadro demanda todos esses exames e a avaliação é sempre individualizada. Esses exames identificam a origem do sangramento e, em muitos casos, permitem tratamento imediato.

Tratamento do sangramento digestivo

O tratamento do sangramento digestivo depende diretamente da causa e pode incluir medidas clínicas, endoscópicas ou cirúrgicas. Conheça abaixo as principais linhas terapêuticas:

Tratamento clínico

Indicado geralmente para sangramentos causados por gastrite, úlcera péptica, doença inflamatória intestinal, hemorroidas e fissuras anais.

No caso das úlceras e de gastrite são prescritos medicamentos que reduzem a acidez do trato digestivo. Quando o problema é uma doença inflamatória intestinal, pode ser necessário o uso de antibióticos, corticoides e anti-inflamatórios. Já para as fissuras e hemorroidas são indicados cuidados locais com pomadas e a proibição do uso de papel higiênico.

Importante que em todos os casos citados acima, ainda é necessário a readequação de hábitos alimentares e de estilo de vida.

Tratamento endoscópico

Todo quadro suspeito de sangramento digestivo deve obrigatoriamente realizar exames endoscópicos, que servem para diagnóstico e em muitos casos, já realizam o tratamento necessário. Durante a endoscopia ou a colonoscopia, é possível cauterizar vasos que estão sangrando, aplicar clipes ou injetar substâncias esclerosantes e hemostáticas.

Essa linha terapêutica pode servir, por exemplo, em casos, de úlcera péptica com sangramento ativo, varizes esofágicas, angiodisplasia, pólipos intestinais, divertículos com sangramento ativo e casos selecionados de câncer gástrico ou esofágico.

Tratamento cirúrgico

Quando o sangramento não responde às medidas anteriores ou quando há complicações graves, pode ser necessário realizar uma cirurgia. É esse o caso, por exemplo, de cânceres, diverticulose com sangramento recorrente, doença inflamatória intestinal grave e refratária e hemorroidas.

A importância de buscar ajuda especializada

Um sangramento digestivo nunca deve ser considerado normal, mesmo quando aparece em pequena quantidade. Muitas vezes, o paciente automaticamente associa o sintoma a alguma causa simples, mas apenas exames específicos podem confirmar a origem do sangramento.

Algumas causas evoluem de maneira silenciosa. Tumores do estômago ou do intestino, por exemplo, podem causar sangramento discreto e anemia progressiva antes do paciente perceber sinais significativos, como dor e fraqueza. Quando o diagnóstico é precoce, as opções de tratamento são mais eficazes e os resultados tendem a ser mais favoráveis para o paciente.

A atuação do cirurgião do aparelho digestivo nesses casos, é de extrema importância. Ela envolve não apenas tratar o episódio de sangramento, mas identificar sua causa, definir a melhor abordagem terapêutica e acompanhar o paciente ao longo do tratamento e pós-tratamento. Essa abordagem completa reduz riscos e evita reincidência.

Diante de qualquer episódio de sangramento, mesmo que isolado, procure avaliação médica. Ficou com dúvidas? Marque sua consulta!

Mais sobre sangramento digestivo

Nem sempre. Alguns casos leves não trazem riscos à vida do paciente. No entanto, somente avaliação médica confirma a causa, e ignorar esse sintoma pode atrasar o diagnóstico de doenças importantes.

A forma de manifestação do sangramento ajuda a identificar de onde o sangramento pode estar vindo.

O sangue vermelho vivo geralmente indica um sangramento baixo, localizado na parte final do trato gastrointestinal — como reto ou intestino grosso. Como o sangue não passou tempo suficiente no sistema digestivo, ele não foi digerido, mantendo a coloração vermelha. As causas mais comuns incluem hemorroidas, fissuras anais, pólipos, inflamações intestinais, doença diverticular ou câncer colorretal.

Já o sangue escuro ou fezes negras (melena) indicam um sangramento alto, vindo do esôfago, estômago ou duodeno. Nesse caso, o sangue percorre o sistema digestivo e é digerido, adquirindo coloração escura e odor mais forte. Esse tipo de sangramento costuma estar associado a condições potencialmente mais graves, como úlceras ou lesões gástricas, e pode representar maior risco, exigindo avaliação médica urgente.

Independentemente da cor, sangue nas fezes nunca deve ser considerado normal e sempre merece investigação adequada.

Embora muitos casos sejam tratados clinicamente ou por via endoscópica, situações mais graves podem exigir cirurgia digestiva para controlar a fonte do sangramento. A decisão depende da causa, da intensidade e da resposta ao tratamento inicial.

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