Dor abdominal recorrente, distensão e episódios de obstrução intestinal podem ter uma causa pouco conhecida pelos pacientes: as bridas abdominais. Elas geralmente ocorrem após a realização de cirurgias abdominais, porém até 20% dos casos podem ocorrer mesmo sem uma cirurgia prévia.
Muitas pessoas não sabem exatamente o que elas são, como se formam e quando precisam de tratamento. Com informação adequada e acompanhamento médico, é possível reconhecer os sinais precocemente e evitar complicações.
Bridas são faixas de tecido fibroso que se formam dentro da cavidade abdominal, resultado de um processo inflamatório do peritôneo (tecido que recobre os órgãos e a cavidade abdominal). Elas unem órgãos ou estruturas que normalmente não estariam conectados.
Elas também são chamadas de aderências e surgem como parte do processo de cicatrização do organismo. Elas podem causar problemas quando restringem o movimento normal do intestino.
As bridas se formam em decorrência da cicatrização dos tecidos, que pode causar fibroses e aderências entre os tecidos.
As bridas surgem a partir de um processo inflamatório do peritônio, tendo como principal causa a realização de cirurgias abdominais. Quanto maior e mais inflamatório é o procedimento, maior tende a ser o risco de formação dessas aderências.
As cirurgias minimamente invasivas, como as laparoscópicas ou robóticas, costumam provocar menor inflamação do peritônio. Por isso, estão associadas a um risco reduzido de bridas, embora a sua formação ainda possa ocorrer mesmo nesses tipos de cirurgia.
Vale ressaltar que cerca de 20% dos casos de bridas acontecem mesmo sem cirurgia abdominal prévia. Nessas situações, elas podem se formar em decorrência de infecções abdominais, inflamações intestinais, endometriose, radioterapia abdominal ou pélvica e traumas na região abdominal.
Muitas bridas não causam sintomas. No entanto, quando interferem no funcionamento do intestino, podem provocar:
Os sintomas podem surgir meses ou até anos após a cirurgia.
A complicação mais grave associada às bridas é a obstrução intestinal, quando o intestino fica parcial ou totalmente bloqueado.
Esse quadro é considerado uma urgência médica e pode causar:
O diagnóstico começa pela avaliação clínica detalhada. Exames de imagem ajudam a confirmar a suspeita e avaliar complicações.
O mais utilizado é a tomografia computadorizada. Nela as bridas não são visualizadas diretamente, mas seus efeitos sobre o intestino podem ser identificados.
A maioria dos quadros é assintomática. Quando os sintomas surgem de forma leve, sem sinais de obstrução intestinal, recomendam-se algumas alterações nos hábitos de vida como dieta fracionada e diminuição do consumo de alimentos fermentativos, além do uso de analgésicos comuns.
Porém, quando ocorre a obstrução intestinal, é importante ter atenção ao quadro, recorrendo à internação hospitalar e ao acompanhamento especializado. Na maioria dos casos, não há necessidade de tratamento cirúrgico, apenas algumas medidas clínicas como:
Em cerca de 80% dos casos esse tratamento é eficiente e em até 72 horas há melhora dos sintomas. Neste período, também há o retorno do trânsito intestinal e a possibilidade de retirada da sonda nasogátrica e realimentação.
Quando isso não ocorre, há piora dos sintomas ou sinais de sofrimento intestinal, recorre-se ao tratamento cirúrgico. A cirurgia consiste na liberação das bridas (adesiólise), preferencialmente por videolaparoscopia, quando possível.
Não é possível evitar completamente a formação de bridas, mas algumas estratégias ajudam a reduzir o risco. O uso de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, a menor manipulação dos órgãos durante o procedimento, o controle adequado de infecções e o acompanhamento pós-operatório regular contribuem para uma cicatrização mais organizada e para a diminuição das complicações ao longo do tempo.
A decisão de operar bridas exige experiência e avaliação criteriosa, pois toda cirurgia abdominal pode gerar novas aderências. Por isso, o acompanhamento com cirurgião do aparelho digestivo é essencial para definir o melhor momento e a melhor abordagem.
As bridas abdominais são frequentes, mas nem sempre causam sintomas. Quando provocam dor ou obstrução, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado evitam complicações graves e melhoram a qualidade de vida. Diante de sintomas persistentes, a avaliação especializada é o caminho mais seguro.
Não. Muitas bridas são assintomáticas e não exigem tratamento cirúrgico.
Sim, existe risco de recorrência, por isso a cirurgia é indicada apenas quando realmente necessária.
Os sintomas podem surgir meses ou até anos depois do procedimento inicial.