Gastrectomia: o que é e quem precisa fazer

A gastrectomia é a cirurgia que remove uma parte ou todo o estômago. Historicamente, antes da década de 1990, ela era realizada majoritariamente devido à doença ulcerosa péptica e suas complicações, respondendo por até 90% das gastrectomias. Porém, com o advento dos inibidores da bomba de prótons na década de 1990, houve uma drástica redução na necessidade de cirurgia por causa das úlceras. Atualmente, o câncer gástrico é a principal indicação desse tipo de cirurgia (responsável por até 95% das gastrectomias no mundo atual).

Mas, apesar da predominância do câncer gástrico como causa da gastrectomia, causas benignas como úlceras pépticas, estenose pilórica e gastroparesia ainda podem necessitar de tratamento cirúrgico.

Existem diferentes tipos de gastrectomia:

  • Total: quando o estômago é removido completamente.
  • Parcial: quando é retirada apenas a parte inferior do estômago (parte do corpo e o antro).
  • Proximal: quando é retirada apenas a parte superior do estômago. Raramente realizada.
  • Cunha: quando é realizada uma ressecção segmentar em formato de cunha de uma área do estômago, incluindo a lesão e uma margem de segurança. Geralmente realizado para os GISTs gástricos.
  • Não anatômica: quando é realizada ****qualquer ressecção parcial e segmentar do estômago que não siga os limites anatômicos clássicos (proximal, distal ou total).
  • Sleeve (em manga ou vertical): quando é retirada a grande curvatura do estômago. É uma das técnicas utilizadas na cirurgia bariátrica.

Assim como a maioria das cirurgias do aparelho digestivo, ela pode ser realizada por diferentes vias, como:

  • Aberta: técnica tradicional, realizada através de amplas incisões.
  • Laparoscópica: técnica minimamente invasiva em que o procedimento é feito através de pequenas incisões na barriga com o auxílio de um aparato especial.
  • Robótica: técnica mais moderna implementada e é a evolução da laparoscopia. Utiliza um sistema robótico controlado por um cirurgião, através de um console. Oferece visão 3D e propicia movimentos mais precisos e delicados.

A escolha da técnica depende da doença a ser tratada, do estado geral do paciente e da experiência da equipe cirúrgica.

Quando a gastrectomia é indicada

As indicações mais comuns da gastrectomia incluem:

  • Câncer gástrico: atualmente é a principal indicação para a realização do procedimento. Estima-se que até 95% das gastrectomias realizadas hoje em dia, são devido ao câncer gástrico. Todo tratamento de câncer gástrico não precoce, com intenção curativa, inclui a gastrectomia (total ou parcial).
  • GIST: tumor mesenquimal raro que pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal, sendo mais comum no estômago. Quando presente, pode necessitar de uma gastrectomia em cunha, a depender de suas características.
  • Doença ulcerosa péptica: após o advento dos inibidores da bomba de prótons, houve uma importante diminuição na necessidade de cirurgia no tratamento da doença ulcerosa. Porém, quando uma úlcera não cicatriza com o tratamento medicamentoso, ou ocorre uma complicação decorrente daquela úlcera, como perfuração, sangramento ou estenose, pode haver necessidade da realização da gastrectomia.
  • **Tumores benignos do estômago:** como pólipos e lipomas, que quando não são passíveis de retirada por endoscopia digestiva alta, podem necessitar de uma gastrectomia (geralmente em cunha ou não anatômica).
  • Síndrome de Zollinger-Ellison: doença rara que provoca produção excessiva de ácido e úlceras múltiplas.
  • Obesidade (gastrectomia vertical ou “sleeve”): é uma das técnicas utilizadas na cirurgia bariátrica.

O diagnóstico precoce aumenta muito as chances de um tratamento menos invasivo e com melhores resultados.

Como é feita a gastrectomia

A cirurgia pode ser realizada por via aberta, por videolaparoscopia ou via robótica, dependendo do caso.

Nas técnicas minimamente invasivas, o cirurgião faz pequenas incisões e utiliza uma câmera para guiar os instrumentos — o que reduz a dor no pós-operatório, o tempo de internação e de recuperação, propiciando um retorno mais rápido às atividades do dia a dia.

Durante o procedimento o cirurgião remove o estômago parcialmente ou totalmente, a depender da localização e extensão da doença de base. Em casos oncológicos, também é realizada a linfadenectomia, que é a retirada dos linfonodos regionais – as populares ínguas -, pois eles podem estar comprometidos por células tumorais e sua minuciosa análise através da microscopia é de fundamental importância na definição ou não da necessidade de realização de quimioterapia e do prognóstico da doença.

Após a gastrectomia, é realizada a junção do intestino delgado com o estômago remanescente ou com o esôfago, proporcionando a reconstrução do trânsito alimentar e garantindo o funcionamento adequado do sistema digestivo, sem grandes impactos na qualidade de vida do paciente, que necessitará apenas de pequenas adaptações em sua rotina.

Recuperação e resultados

A recuperação é individualizada e depende da doença de base, do tipo de gastrectomia e da condição do paciente antes da cirurgia. Em geral, o retorno à alimentação é feito de forma gradual, com progressão de texturas – líquida, pastosa e sólida -, com acompanhamento nutricional, priorizando alimentos de fácil digestão e refeições fracionadas.

Quando ocorre a necessidade de uma gastrectomia, sua realização traz muitos benefícios, como a melhora de sintomas como dor, sangramento, náusea, vômito e empachamento. Além disso, ela é etapa fundamental no tratamento com intenção curativa, em casos de câncer gástrico.

O acompanhamento médico e nutricional é fundamental no pós-operatório, pois é através dele que serão realizados exames de rotina como a endoscopia digestiva alta e a avaliação e reposição de nutrientes, como o ferro e a vitamina B12, quando necessário. Esse seguimento garante que esteja tudo bem com o tratamento e evita complicações tardias, como anemia e doenças geradas pela deficiência de vitamina B12.

A gastrectomia é uma cirurgia complexa, mas segura quando realizada por um cirurgião do aparelho digestivo experiente. Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, é possível alcançar ótimos resultados e retomar a qualidade de vida.

Se você recebeu indicação de gastrectomia ou quer entender melhor o procedimento, agende uma consulta para avaliação individualizada.

FAQs – Perguntas Frequentes

Não. Apesar de o câncer gástrico ser a principal indicação, a cirurgia também pode ser indicada em úlceras complicadas, tumores benignos e síndromes raras.

Sim. O corpo se adapta à nova configuração digestiva, mas exige acompanhamento nutricional e médico constante para garantir absorção adequada dos nutrientes.

Depende do tipo de cirurgia e da extensão do procedimento. Em média, a recuperação inicial ocorre entre 2 e 4 semanas, com retorno gradual à dieta e às atividades.

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