Hérnia abdominal recidivada: por que a hérnia pode voltar e como tratar

A presença de sangue nas fezes nunca é algo normal. Mesmo quando aparece em pequena quantidade, ele indica que algo no trato gastrointestinal não está funcionando como deveria – e, por isso, nunca se deve ignorar esse sintoma.

O sangramento gastrointestinal pode ter diversas causas. Enquanto algumas são simples e benignas, outras exigem diagnóstico rápido e tratamento imediato.

Entenda abaixo como o sangramento digestivo acontece, quais as possíveis causas, os sinais de alerta e como o cirurgião do aparelho digestivo pode tratar esse problema em diferentes cenários.

Hérnia abdominal recidivada: o que é e por que acontece

A hérnia abdominal acontece quando uma estrutura interna (como gordura ou parte do intestino) encontra um ponto de fraqueza na parede abdominal e se projeta para fora. Isso pode formar um “calombo” visível e palpável na barriga ou na virilha, além de desconforto. É possível tratar a hérnia, mas, em alguns casos, ela pode voltar. É isso que se conhece por recidiva de hérnia abdominal.

Isso nada mais é do que uma hérnia que voltou após um tratamento cirúrgico, situação que pode acontecer com diferentes tipos de hérnia. Ela pode ser, por exemplo, uma hérnia umbilical que voltou, uma hérnia incisional recidivada ou uma hérnia inguinal recidivada (na virilha).

É importante entender que nem sempre a recidiva significa que a cirurgia deu errado. A hérnia pode voltar porque a parede abdominal continua sendo submetida a pressão constante por diversos fatores. Além disso, a cicatrização é diferente em cada organismo, e muitas questões aumentam a chance de o local operado voltar a ceder.

A recidiva da hérnia pode acontecer a qualquer momento após o procedimento. É possível que ela retorne nos primeiros meses após a cirurgia, especialmente quando há problema de cicatrização, infecção ou esforço excessivo na recuperação. Ela também pode, no entanto, reaparecer muitos anos depois, de forma gradual.

Entre as principais causas da recidiva de hérnia estão:

  • Infecção da ferida operatória;
  • Esforço físico precoce no pós-operatório;
  • Obesidade;
  • Tabagismo;
  • Fragilidade natural da parede abdominal;
  • Múltiplas cirurgias prévias na região;
  • Uso de técnicas cirúrgicas inadequadas;
  • Tosse crônica;
  • Constipação intensa;
  • Levantamento frequente de peso.

Como saber se a hérnia abdominal voltou?

Os sintomas de hérnia recidivada podem variar de acordo com o tamanho da falha na parede abdominal, o local e o esforço sobre essa região. Em muitos casos, o primeiro sinal é justamente o reaparecimento de um volume na área onde a cirurgia ocorreu.

Entre os sintomas, é possível citar:

  • Abaulamento abdominal após cirurgia, principalmente ao tossir, ficar em pé, rir e carregar peso;
  • Dor após cirurgia de hérnia, que pode surgir como pontada, ardor, peso ou desconforto local;
  • Sensação de fraqueza ou pressão na parede abdominal;
  • Desconforto ao se movimentar, fazer exercícios, se abaixar ou levantar-se da cama;
  • Aumento do volume ao longo do dia ou com esforço;
  • Sensação de que algo “estufa” ou “salta” na cicatriz ou ao redor do umbigo.

Em hérnias pequenas, os sintomas podem ser discretos no início. Já nas maiores, o paciente pode perceber um abaulamento mais evidente, às vezes junto da sensação de tração na musculatura. Em alguns casos, a hérnia só aparece em determinadas posições ou quando a pessoa faz força.

Sinais de alerta

Alguns sinais indicam que a hérnia pode estar evoluindo com urgência. Isso acontece principalmente quando o conteúdo da hérnia fica preso e não consegue voltar para dentro do abdômen, ou quando a condição compromete a circulação sanguínea no local. Isso pode indicar quadros como o de encarceramento ou estrangulamento de hérnia, que merecem atenção por risco de comprometimento do intestino.

Procure atendimento o quanto antes se sentir:

  • Dor intensa e progressiva;
  • Endurecimento da hérnia;
  • Abaulamento que não diminui nem “volta” ao interior da parede abdominal;
  • Náuseas e vômitos;
  • Distensão abdominal;
  • Vermelhidão ou mudança de cor na pele sobre a hérnia;
  • Piora importante do quadro geral em pouco tempo.

Diagnóstico

O diagnóstico da hérnia recidivada começa com uma boa anamnese e um exame físico detalhado. Na consulta, o médico vai querer saber quando o abaulamento apareceu, se ele aumenta com esforço, se há dor, se a área já foi operada mais de uma vez e se o paciente tem fatores de risco como ganho de peso, tabagismo, tosse crônica, entre outros.

Em muitos casos, o exame clínico já basta para o diagnóstico. Isso porque o médico costuma observar a região em repouso e em pé, além de pedir que o paciente tussa ou faça força. Mas, quando a avaliação clínica não basta, exames de imagem podem auxiliar no diagnóstico.

É possível, por exemplo, que o especialista peça uma ultrassonografia da parede abdominal para identificar pequenos defeitos, confirmar a hérnia e avaliar o conteúdo dela. Já a tomografia abdominal pode ser muito importante em casos de recidiva, pois mostra com mais detalhes o tamanho da falha na parede abdominal e a relação com cicatrizes prévias.

Tratamento para hérnia recidivada

O tratamento para hérnia que voltou depende do tamanho dela, da presença ou não de sintomas e do risco de complicação. Quando ela é muito pequena e assintomática, pode ser possível apenas acompanhar o quadro. Na prática, no entanto, muitas hérnias recidivadas exigem nova correção – e isso é feito com cirurgia.

Nessa cirurgia, as técnicas atuais não se limitam a “fechar o buraco”, mas sim reconstruir a parede abdominal de forma funcional, reduzindo a tensão sobre os tecidos e diminuindo o risco de uma nova recidiva.

Cirurgia de hérnia abdominal

A cirurgia de hérnia abdominal busca recolocar o conteúdo herniado para dentro do abdômen, corrigir a falha na parede abdominal e reforçar essa região. Isso inclui o uso de uma tela cirúrgica, que funciona como um reforço para distribuir melhor a tensão nessa região e oferecer mais sustentação.

O fato do caso ser uma recidiva tende a mudar o planejamento cirúrgico. Nesses casos, o cirurgião do aparelho digestivo considera o tamanho da falha, a qualidade dos tecidos, a cicatriz anterior e a presença de aderências. Além disso, é importante também definir a via de acesso – ou seja, a forma como a cirurgia vai acontecer. As técnicas disponíveis são as seguintes:

Cirurgia laparoscópica ou robótica

A videolaparoscopia e a cirurgia robótica para hérnia são técnicas minimamente invasivas, que envolve pequenos cortes no abdômen. Através dessas incisões, o cirurgião introduz uma câmera e instrumentos delicados para visualizar a parede abdominal por dentro, reduzir o conteúdo herniado e inserir o reforço necessário.

Essa abordagem traz vantagens. Isso porque ela agride menos a parede abdominal e não requer incisões grandes, tornando a recuperação mais curta e confortável. Além disso, se o paciente tiver uma cicatriz externa da cirurgia anterior, a laparoscopia e a cirurgia robótica, permitem acessar a hérnia por uma via diferente.

A técnica, porém, não serve para todos os casos. A possibilidade de usar essa técnica depende da anatomia da hérnia, do tamanho da falha na parede abdominal e do estado da região após a cirurgia anterior.

No vídeo abaixo, explico em mais detalhes os benefícios da cirurgia por videolaparoscopia:

Cirurgia aberta

A cirurgia aberta pode ser a melhor opção em alguns casos, como no de hérnias maiores, aberturas mais extensas na parede abdominal ou quando é preciso reconstruir grande parte da musculatura.

Nessa técnica, o cirurgião gástrico faz uma incisão sobre a área já operada, o que permite analisar melhor o quadro, reposicionar estruturas e reconstruir a parede com a estratégia adequada.

A recuperação, nesse caso, pode ser mais lenta em comparação com a técnica laparoscópica, mas ainda é a opção mais segura em diversos casos.

Como um cirurgião do aparelho digestivo pode te ajudar

O cirurgião do aparelho digestivo tem papel central no diagnóstico e no tratamento da hérnia recidivada. Isso é especialmente real quando o caso exige análise cuidadosa da parede abdominal, de cirurgias anteriores e da definição da melhor estratégia para reduzir o risco de retorno da hérnia.

Como especialista em hérnia abdominal, foco em avaliar cada caso de forma individualizada, sem investigar apenas se a hérnia voltou, mas sim por que voltou, qual o comportamento da sua parede abdominal e qual é a melhor opção terapêutica para o caso.

Se você suspeita de hérnia após cirurgia, percebeu um novo abaulamento ou vem sentindo desconforto persistente na região operada, vale buscar a avaliação de um especialista. Se estiver procurando um médico para tratamento de hérnia abdominal em São Paulo ou especialista em cirurgia digestiva em São Paulo, não hesite em marcar sua consulta. Atualmente, atendo como cirurgião do aparelho digestivo em Moema e ficarei feliz em tirar todas as suas dúvidas.

Mais sobre hérnia abdominal recidivada

A hérnia pode voltar porque a parede abdominal segue submetida à pressão, e porque a cicatrização nem sempre consegue restaurar totalmente a resistência do tecido. Nesse contexto, fatores como obesidade, tabagismo, infecção na ferida da cirurgia, múltiplas cirurgias prévias e fragilidade muscular aumentam o risco.

O sinal mais comum é o abaulamento na área operada. Além disso, também pode haver dor, desconforto, sensação de peso, pressão local e piora do quadro ao tossir, fazer força ou levantar peso. A confirmação do quadro requer exame físico e exames de imagem.

Nem sempre. Hérnias muito pequenas e assintomáticas podem, em alguns casos, pedir apenas acompanhamento. Por outro lado, em caso de muitas recidivas, a cirurgia para hérnia recorrente pode ser a melhor saída, especialmente quando a hérnia causa dor, aumenta de tamanho, compromete a rotina ou traz risco de estrangulamento.

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