O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, é uma doença que se desenvolve de forma silenciosa na maioria dos casos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele é um dos tumores mais comuns do sistema digestivo, especialmente em homens acima dos 50 anos, embora possa afetar outras faixas etárias.
Como o diagnóstico atrasado prejudica o prognóstico, é importantíssimo conhecer os sintomas de câncer no estômago para entender quando algo não está bem e merece atenção. Entenda como essa doença surge, quais sinais merecem atenção e quais são as possibilidades de tratamento após o diagnóstico:
O câncer gástrico acontece a partir de alterações nas células que revestem o estômago. Ao longo do tempo, elas sofrem mutações (que podem acontecer por diversas causas) e, por isso, passam a se multiplicar de forma desordenada, formando o tumor. O tipo mais comum dessa doença é o adenocarcinoma, que se desenvolve na mucosa gástrica.
Esse processo costuma ser lento, e a doença pode levar anos até causar sintomas perceptíveis. Durante esse período, fatores como inflamação crônica da mucosa, infecções e hábitos de vida influenciam diretamente na progressão da doença.
O câncer de estômago é mais frequente em pessoas com histórico de gastrite crônica, infecção por H. pylori (Helicobacter pylori), tabagismo e dieta inadequada. Além disso, fatores genéticos e familiares também desempenham um papel importante.
Os sintomas do câncer gástrico costumam ser inespecíficos no início, o que dificulta a identificação precoce. Ainda assim, dor de estômago e câncer, têm grande relação. Entre os primeiros sintomas de câncer de estômago, é possível destacar:
Como esses sintomas podem ser confundidos com problemas gastrointestinais comuns, como gastrite ou refluxo, é comum não investigar a causa, correndo o risco de um diagnóstico tardio. Por isso, quando eles não vão embora, é importante buscar avaliação médica.
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento do câncer gástrico. A infecção pela bactéria H. pylori é um dos principais fatores de risco, pois o quadro provoca uma inflamação crônica na mucosa gástrica, que leva a atrofia das células do estômago, que podem evoluir para o câncer.
Outro importante fator de risco é o tabagismo, pois ele expõe constantemente o organismo a substâncias tóxicas, danificando o DNA das células do estômago. Isso pode levar a mutações que, por consequência, ocasionam câncer.
Manter uma dieta rica em alimentos ultraprocessados (como fast food, embutidos e outros industrializados) é outro fator de risco. Isso porque esse estilo alimentar favorece a irritação crônica da mucosa gástrica, podendo levar à multiplicação celular desordenada e à formação do tumor.
Por fim, histórico familiar de câncer gástrico, gastrite crônica não tratada, gastrite atrófica, obesidade, consumo excessivo de álcool são outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de estômago.
A investigação se inicia com uma anamnese e exame físico detalhados, onde são avaliados os sinais e sintomas relatados pelo paciente. A partir do momento que a investigação clínica apresenta suspeita de câncer gástrico, são solicitado os exames complementares, para confirmação ou exclusão do diagnóstico. Dentre eles destacamos:
A endoscopia é o padrão ouro para o diagnóstico do câncer gástrico, pois ela permite visualizar diretamente o interior do estômago, além da realização de biópsia, que servirá para confirmar o diagnóstico e nos dizer qual o tipo de câncer estamos diante. Nela, o médico insere um tubo fino com câmera pela boca e chega com ele ao estômago. Esse procedimento é feito sob sedação.
A biópsia é que confirma o diagnóstico de câncer gástrico, sem ela, não é possível iniciar o tratamento. O material coletado na endoscopia é submetido a uma análise, pelo patologista, capaz de confirmar a malignidade do material, identificar qual o tipo de câncer (histologia) e realizar exames de imuno-histoquímica. Estes, serão importantes na definição do tipo de tratamento sistêmico, caso ele seja necessário.
A tomografia é um exame de imagem não invasivo que é realizado para o estadiamento do tumor, ou seja, avalia a extensão da doença. Nela é possível avaliar o comprometimento local do câncer, além de identificar se o câncer comprometeu outros órgãos ou linfonodos.
O estadiamento oncológico avalia o tamanho do tumor, o acometimento de linfonodos e a presença ou não de metástases, ou seja, é o que define o grau de avanço do tumor. Ele é fundamental na definição do tipo de tratamento.
O tratamento do câncer de estômago depende do estágio da doença (seu estadiamento), das condições clínicas do paciente e das características do tumor. Ele pode incluir:
A cirurgia do câncer gástrico – gastrectomia, é feita sempre que há possibilidade de remover totalmente o tumor. Ela pode ser feita logo no início do tratamento (upfront), ou após a realização de quimioterapia.
A gastrectomia pode ser parcial (quando é retirado cerca de dois terços do estômago) ou total (quando é retirado todo o estômago), garantindo que o tumor seja totalmente retirado e com margens de segurança. Além disso, na cirurgia, ocorre a retirada de linfonodos próximos (linfadenectomia), que ajudam no estadiamento e reduz o risco de recidiva da doença.
Ao final da cirurgia, o intestino é conectado ao estômago, garantindo que, após o período de recuperação, o paciente volte a comer normalmente.
A quimioterapia é o tratamento sistêmico, onde alguns medicamentos são administrados por via endovenosa. Eles atuam circulando por toda a corrente sanguínea e destruindo células cancerígenas ou dificultando a multiplicação delas.
Ela pode ser realizada antes da cirurgia (neoadjuvância), depois dela (adjuvância) ou antes e depois (per-operatória). O que define a necessidade e o momento que ela será realizada é o estadiamento e o tipo de célula tumoral.
A imunoterapia é um tratamento que estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células tumorais. Ela tem ganhado grande importância no tratamento do câncer gástrico, principalmente em casos avançados ou metastáticos.
Quando o diagnóstico do câncer gástrico acontece precocemente, as chances de se realizar um tratamento curativo, são maiores. Por isso, é importante nunca ignorar sintomas persistentes, especialmente em casos de pessoas com fatores de risco.
Nesse contexto, é imprescindível fazer o rastreamento adequado. Isso envolve buscar um médico da área e se informar sobre recomendações personalizadas para realização de endoscopia periódica. Isso é ainda mais válido para pessoas com histórico de câncer gástrico na família, gastrite crônica ou infecção por H. pylori.
Como cirurgião do aparelho digestivo, atuo diretamente no diagnóstico e no tratamento das doenças do estômago, com foco em abordagens seguras, precisas e individualizadas. A experiência em oncologia digestiva aliada a técnicas modernas de cirurgia de estômago permite oferecer cuidado completo ao paciente.
Se você tiver sintomas persistentes ou dúvidas, a avaliação especializada é o melhor caminho. Aqui, o acompanhamento com um cirurgião do aparelho digestivo pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento.
Os sinais iniciais incluem desconforto abdominal, sensação de estufamento, náuseas leves e perda de apetite. Como esses sintomas são inespecíficos (ou seja, não apontam diretamente para a doença e podem ocorrer por várias outras causas), é comum a confusão com quadros de gastrite. É importante, porém, não ignorá-los.
Sim, mas é importante lembrar que nem toda dor de estômago indica câncer. Quando a dor é persistente, progressiva ou associada a outros sintomas, ela deve ser investigada – e, ainda assim, pode estar ocorrendo por outras doenças.
O diagnóstico é feito por endoscopia (que identifica lesões) com biópsia (que retira uma amostra para análise). Depois disso, outros exames de imagem ajudam a avaliar a extensão da doença.