Câncer gástrico: conheça os fatores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamentos

O câncer gástrico, também conhecido como câncer de estômago, é uma doença silenciosa nas suas fases iniciais. Ele pode evoluir de forma lenta e progressiva, e seu diagnóstico precoce é muito importante para aumentar as chances de um tratamento curativo.

Por ser uma doença de início silencioso, este tipo de câncer exige atenção aos fatores de risco, sinais e sintomas, além do acompanhamento com especialistas experientes.

Quais são os fatores de risco?

O câncer de estômago pode se desenvolver a partir de fatores genéticos (hereditários), ambientais e comportamentais ou ambos. Os principais fatores de risco incluem:

  • Histórico familiar de câncer gástrico.
  • Grupo sanguíneo A.
  • Infecção por Helicobacter pylori.
  • Presença de gastrite crônica atrófica.
  • Anemia perniciosa.
  • Tabagismo.
  • Consumo excessivo de álcool.
  • Dieta rica em alimentos defumados, processados e salgados.
  • Cirurgia gástrica prévia (gastrectomia parcial).

A presença de um ou mais desses fatores não significa que uma pessoa terá câncer gástrico, porém, indica a necessidade de acompanhamento médico regular, com a realização de exames complementares, quando indicados.

Quais são os principais sinais e sintomas?

O câncer de estômago costuma ser silencioso em suas fases iniciais. Algumas pessoas podem apresentar sintomas discretos e inespecíficos nessas fases, tais como:

  • Dor, desconforto ou queimação na parte superior do abdômen.
  • Azia, refluxo.
  • Empachamento pós prandial: sensação de estômago cheio após as refeições, mesmo que pequenas.
  • Náuseas ou vômitos frequentes.
  • Perda de peso não intencional, perda de apetite, fraqueza.
  • Hematêmese: vômitos com sangue.
  • Melena: fezes escuras e mal cheirosas (devido a presença de sangue digerido nelas).
  • Distensão e estufamento na parte superior do abdômen.
  • Presença de massas palpáveis no abdômen.
  • Anemia.

Esses sintomas não são específicos do câncer gástrico, podem ocorrer em outros problemas relacionados ao estômago, como por exemplo gastrite e refluxo. Para diferenciá-los e fazer um correto diagnóstico e tratamento, é essencial procurar avaliação médica adequada.

Como é feito o diagnóstico?

O exame mais importante para diagnosticar o câncer de estômago é a endoscopia digestiva alta.

No Brasil, esse exame não é usado de forma preventiva, como acontece com a colonoscopia para o câncer de intestino. Ele é indicado quando o paciente apresenta sintomas persistentes ou fatores de risco relevantes, definidos pelo médico após uma consulta detalhada e exame físico.

A endoscopia é feita sob sedação, em clínicas ou hospitais. Um tubo fino com câmera (endoscópio) permite visualizar o esôfago e o estômago. Se houver lesão suspeita, o médico coleta uma biópsia — pequeno fragmento de tecido — que será analisada por um patologista. É essa análise que confirma, ou não, o diagnóstico de câncer gástrico.

Uma vez confirmado, realizamos o estadiamento, etapa que avalia a extensão da doença:

  • Se há invasão de órgãos vizinhos
  • Acometimento de linfonodos (gânglios)
  • Presença de metástases

Para isso, utilizamos exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética, PET-CT e ecoendoscopia.

Somente após essas etapas definimos o plano de tratamento mais adequado para cada paciente, garantindo precisão e segurança em todas as decisões.

Como é o tratamento?

O câncer de estômago exige um cuidado multidisciplinar, envolvendo o oncologista clínico e o cirurgião do aparelho digestivo.

Juntos, eles definem a melhor estratégia para cada paciente — desde o tipo de tratamento até o momento ideal para a cirurgia.

A decisão leva em conta fatores como:

  • Localização do tumor no estômago
  • Extensão e invasão de órgãos vizinhos (como fígado, baço ou intestino)
  • Comprometimento de linfonodos
  • Presença de metástases
  • Condição clínica do paciente, avaliada por consulta, exames laboratoriais e exames cardiológicos

Principais abordagens terapêuticas:

  1. Cirurgia upfront
    • Primeira etapa do tratamento é a cirurgia para retirada parcial ou total do estômago (gastrectomia).
    • A necessidade de quimioterapia após a cirurgia (adjuvante) depende do resultado da análise patológica do tumor removido.
  2. Quimioterapia perioperatória (mais utilizada)
    • Começa com quimioterapia para reduzir o tumor.
    • Segue-se a cirurgia para retirada do estômago.
    • Pode incluir mais ciclos de quimioterapia após a operação.
  3. Quimioterapia exclusiva
    • Indicada para tumores avançados, metastáticos ou em pacientes sem condições clínicas para cirurgia.
  4. Tratamento endoscópico
    • Menos invasivo, realizado apenas por endoscopia.
    • Indicado para tumores iniciais, restritos à mucosa.
  5. Terapias-alvo / imunoterapia
    • Usadas em casos selecionados, com base em características específicas do tumor.

Em todos os casos, o planejamento individualizado é essencial para garantir mais segurança, eficácia e qualidade de vida durante o tratamento.

O câncer gástrico pode ser tratado com sucesso, obtendo sua cura, especialmente quando diagnosticado nas fases iniciais. Estar atento aos sintomas e buscar avaliação com especialistas faz toda a diferença.

O cirurgião do aparelho digestivo é o profissional indicado para realizar a cirurgia para retirada do estômago. Essa cirurgia pode ser feita por via minimamente invasiva – laparoscopia e cirurgia robótica, ou por cirurgia aberta. O tratamento é sempre individualizado.

Se você apresenta sinais persistentes ou tem fatores de risco para a doença, agende uma consulta para uma avaliação detalhada. Estou à disposição para te ajudar com segurança e cuidado.

Perguntas frequentes sobre câncer digestivo

Os fatores de risco comportamentais podem ser controlados: manter uma alimentação saudável com redução do consumo de alimentos processados e de sal, evitar tabagismo e ingestão de bebidas alcoólicas e o tratamento correto de infecções por H. pylori podem ajudar na prevenção. A prevenção total nem sempre é possível, pois podem existir fatores genéticos associados, mas, com essas medidas, o risco pode ser reduzido.

Sim. Após a gastrectomia total, o esôfago é conectado diretamente ao intestino delgado. Algumas adaptações alimentares são necessárias, como fracionar as refeições e evitar grandes volumes, mas leva-se uma vida normal.

Não. O câncer de estômago costuma ser silencioso em suas fases iniciais ou apresentar sintomas inespecíficos, que podem ser confundidos com outras doenças. Por isso, a investigação de sintomas leves e realização de exames regulares, para quem tem fatores de risco, são essenciais.

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