Sentir o estômago pesado depois de comer, mesmo com pouca comida, e conviver com náuseas pode parecer apenas um quadro de má digestão – mas quando esses sinais se repetem por semanas, vale investigar melhor. Isso porque pode se tratar de gastroparesia, situação em que o estômago trabalha mais lentamente que o normal, mesmo sem nenhuma obstrução física ou interferência medicamentosa.
Entenda abaixo o que é a gastroparesia, o que costuma provocá-la, como confirmar o quadro e quais são as opções de tratamento para quem tem a condição:
A parede do estômago é formada por diversas camadas, sendo que uma delas é composta por músculos, que trabalham de forma independente (ou seja, sem depender de um estímulo consciente nosso). Durante o processo de digestão, esses músculos se contraem, para misturar, triturar e empurrar o alimento, na direção do intestino.
Em um quadro de gastroparesia, essas contrações ficam mais fracas ou descoordenadas, e o esvaziamento gástrico se torna mais lento. É daí que vem a expressão “estômago lento“, pois o estômago demora para esvaziar sem qualquer obstáculo físico (como um tumor ou um estreitamento).
Esse esvaziamento gástrico lento costuma explicar boa parte dos sintomas e ajuda a entender por que a condição pode ser confundida com outras doenças do estômago.
Quanto às causas identificáveis, a relação entre diabetes e gastroparesia é uma das mais bem estabelecidas da medicina. Isso porque, quando a glicose fica alta por muito tempo, os nervos que controlam os movimentos do estômago podem ser afetados, ocasionando essa condição.
Nesse contexto, existe também a gastroparesia pós-cirúrgica, quando um procedimento na região do abdômen afeta o nervo vago, responsável por parte da movimentação do estômago. Além disso, medicamentos, doenças neurológicas e alterações da tireoide também entram na lista de fatores que interferem nesse ritmo.
Hoje em dia, após o advento e uso rotineiro dos inibidores do GLP-1, para tratamento da obesidade (Ozempic, Mounjaro, dentre outros), vemos cada vez mais casos de gastroparesia medicamentosa. Vale ressaltar que essa é uma das ações esperadas dessas medicações e que contribuem para a perda de peso.
Por fim, também é importante saber que existe a gastroparesia idiopática – ou seja, um quadro sem origem definida mesmo após investigação.
Os sintomas da gastroparesia aparecem especialmente nas refeições ou depois delas. Em geral, o quadro causa problemas como:
É importante frisar que sintomas assim também podem ter relação com outras doenças do estômago, como gastrite ou úlcera. Sendo assim, a investigação é imprescindível para entender o que está causando esses problemas.
Alguns sinais indicam que a investigação não deve esperar, e isso inclui:
O diagnóstico da gastroparesia começa por uma etapa fundamental: descartar a possibilidade de existir uma obstrução gástrica – ou seja, algo bloqueando fisicamente a saída do estômago. Essa distinção é o que separa a gastroparesia de outras causas de esvaziamento lento e orienta a investigação que vem a seguir.
Portanto, o primeiro exame a ser realizado é a endoscopia digestiva alta, que permite olhar o estômago e o início do intestino por dentro. É importante frisar que a endoscopia, não confirma a gastroparesia, mas ajuda a descartar possibilidades como úlceras, tumores e obstruções extrínsecas. Caso haja a suspeita de que algo externo possa estar causando a obstrução do estômago, ainda podemos fazer tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Descartando essas outras causas de esvaziamento lento do estômago, iniciamos a investigação da gastroparesia propriamente dita. Isso se faz com um exame de esvaziamento gástrico, que mede a velocidade de esvaziamento do estômago. A técnica mais usada para isso é a cintilografia de esvaziamento gástrico, onde o paciente ingere uma refeição leve com pequena quantidade de marcador radioativo para que seja possível rastrear os alimentos no trajeto gástrico. Essa avaliação tende a ocorrer durante um período de quatro horas.
Em situações de sintomas inespecíficos, esses exames entram em uma investigação mais ampla, como a de um check-up digestivo. De todo modo, nenhum exame substitui totalmente a avaliação clínica, onde se avalia o histórico do paciente, os medicamentos em uso e as doenças associadas (como o diabetes).
Não existe uma fórmula única para tratar a gastroparesia. O planejamento terapêutico varia conforme a causa, a intensidade dos sintomas e a resposta de cada pessoa, e costuma reunir mais de uma abordagem. De modo geral, o tratamento começa com abordagens mais simples até que, se não houver resposta, é preciso utilizar técnicas mais complexas. Conheça todas abaixo:
O primeiro passo, na maioria dos casos, está em alterar as refeições. Nesse contexto, fazer pratos menores e comer com mais frequência, por exemplo, são medidas que ajudam a reduzir a sobrecarga do estômago. Além disso, alimentos com menos gordura e menos fibras também facilitam o processo de digestão e melhoram os sintomas.
Já em quem tem diabetes, manter a glicemia sob controle faz parte do tratamento. Isso porque níveis altos de glicose retardam o esvaziamento gástrico – e, ao manter a glicemia controlada, o quadro tende a enfraquecer.
Quando apenas ajustes na dieta não são suficientes, entram os medicamentos que estimulam a movimentação do estômago. Aqui, os mais usados são da classe dos procinéticos (como metoclopramida, domperidona e bromoprida), que ajudam o órgão a se contrair e a empurrar o alimento adiante.
Além disso, também é possível utilizar medicamentos para ajudar no controle glicêmico. Nesse contexto, é importante frisar que cada remédio tem indicações e limites próprios, e que a automedicação é altamente contraindicada. Nessa fase, o acompanhamento médico é ainda mais indispensável.
Depois da retirada, o acompanhamento faz parte do tratamento. A vigilância por meio de novas endoscopias é definida conforme o tipo do pólipo retirado e a presença ou não de displasia, para verificar se novas lesões vão surgir. No caso dos pólipos hiperplásicos ligados ao H. pylori, tratar a infecção costuma acabar com o problema.
Se você descobriu um pólipo no estômago, ficou com dúvidas sobre o que fazer e está em Moema ou na região de São Paulo, uma avaliação comigo pode ajudar a esclarecer o tipo de lesão e a melhor conduta. Estou à disposição para analisar seu caso e definir, junto com você, se o caminho é retirar ou apenas acompanhar.
A abordagem cirúrgica não costuma ser um tratamento de rotina em casos de gastroparesia. Ela costuma ser indicada apenas em casos refratários às medidas comportamentais e medicamentosas ou casos graves, com desnutrição importante.
As técnicas disponíveis variam muito, desde uma atuação apenas no piloro, válvula localizada entre o estômago e o intestino, com o objetivo de facilitar a passagem do alimento (pode ser feito por via cirúrgica ou endoscópica), até tratamentos mais complexos com a retirada parcial ou total do estômago.
Se você convive com náuseas, empachamento e sensação de que o estômago não esvazia, e está em Moema ou na região de São Paulo, uma consulta pode ajudar a esclarecer o que está por trás dos sintomas. Estou à disposição para avaliar seu caso e, junto com você, definir o melhor caminho. Lembre-se: você não precisa conviver com o desconforto como se ele fosse normal.
Formado pela Santa Casa de São Paulo, o Dr. Pedro Canzian tem aperfeiçoamento em Cirurgia do Esôfago e Estômago pela mesma instituição. Como especialista em esôfago e estômago, dedica-se ao tratamento de condições como refluxo, hérnias, doenças da vesícula e alterações no esvaziamento gástrico (como a gastroparesia), sempre com foco em cuidado individualizado para cada paciente.
Ele atua como cirurgião digestivo e especialista em estômago, unindo a experiência cirúrgica a uma escuta próxima, com o objetivo de restabelecer a qualidade de vida de quem convive com sintomas digestivos persistentes, do diagnóstico ao tratamento.
A causa mais comum é idiopática (quando investigamos e não achamos a causa). Porém, o diabetes que, ao longo do tempo, pode afetar os nervos que controlam o estômago, é uma causa importante de gastroparesia em nosso meio. Também existem casos de gastroparesia pós-cirúrgica, que surgem após operações no abdômen, e medicamentosa, pelo uso de medicamentos como Mounjaro ou Ozempic.
Depende da causa. Quando ela é causada por um fator reversível, com o uso de algum medicamento ou descontrole do diabetes, os sintomas melhoram de forma significativa com o tratamento. Em muitos casos, porém, o tratamento tem o objetivo de controlar os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente, e não em eliminar a condição por completo. Nesse contexto, o acompanhamento contínuo faz muita diferença no resultado.
O tratamento da gastroparesia costuma combinar mudanças na alimentação, medicamentos que estimulam o esvaziamento do estômago e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos. A escolha da conduta depende da causa e da intensidade dos sintomas, e o plano é ajustado ao longo do tempo conforme a resposta de cada pessoa.