Pólipos no estômago: quando precisam ser retirados e quando apenas acompanhar?

Descobrir um pólipo no estômago em uma endoscopia de rotina pode assustar, e uma das perguntas que mais ouço sobre isso no consultório é: ele pode virar câncer? Aqui, é importante frisar que, na maioria dos casos, os pólipos no estômago encontrados por acaso são benignos – mas é importante entender quando se preocupar.

Entenda abaixo o que são esses pólipos, quais os tipos, quando eles preocupam, como é o diagnóstico e em que situações é necessário retirá-los.

Pólipos no estômago: o que são, tipos e mais

Os pólipos no estômago ocorrem pelo crescimentos de células da camada mucosa, camada que reveste o órgão por dentro. Na prática, portanto, o pólipo gástrico é um pequeno relevo na parede interna do estômago (como se fosse uma pequena verruga), e eles variam em tamanho, formato e quantidade.

Na maior parte dos casos, eles não provocam queixas, pois os sintomas de pólipo no estômago quase nunca ocorrem. Por isso, sua descoberta acontece durante uma endoscopia realizada por outro motivo. Apesar de geralmente silenciosos, quando nos deparamos com pólipos grandes, eles podem gerar sangramento discreto e, com o tempo, anemia, além de sintomas obstrutivos e de retardo de esvaziamento do estômago, de acordo também, com sua localização.

Aqui, vale frisar inclusive que o fato de um pólipo descoberto por acaso não ter sintomas não significa que ele não deve ser cuidadosamente avaliado. Isso porque, mesmo sem sintomas, ele pode ter características que indicam riscos futuros.

Tipos de pólipo gástrico

A definição do tipo de pólipo é o que orienta toda a conduta, e ela só é possível após a análise do material retirado na biópsia. Entre os tipos mais frequentes, é possível citar:

Pólipo de glândulas fúndicas

É o tipo mais comum. Ele costuma se formar na parte alta do estômago e, em geral, tende a ser pequeno, mas numeroso, e está relacionado ao uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez gástrica (inibidores de bomba de prótons, como o omeprazol, pantoprazol ou esomeprazol).

Esse tipo de pólipo tem risco quase nulo de se tornar um câncer (menor que 1%), e é um exemplo clássico de pólipo benigno no estômago.

Pólipo hiperplásico

É o segundo mais comum. Ele costuma ter formato arredondado e, às vezes, se apoia em uma pequena haste (fazendo com que passe a ser chamado de “pediculado”). Ele pode surgir isoladamente ou em grupos, geralmente na parte baixa do estômago.

De forma geral, esse tipo de pólipo ocorre por consequência de inflamações crônicas como gastrite e H. pylori, e o risco de se tornar maligno é baixo – mas aumenta em pólipos maiores (cerca de 1 a 2%). Aqui, vale frisar que esses pólipos, quando ligados ao H. pylori, tendem a regredir após o tratamento da bactéria.

Quando maiores de 1cm, sempre devem ser retirados, pelo maior risco de evolução para câncer.

Adenoma gástrico

Este é o tipo menos frequente entre os três, mas o que mais pede atenção. Ele costuma ser uma lesão única, geralmente na parte baixa do estômago, e surge devido a inflamações crônicas, atrofia ou metaplasia intestinal (transformação no revestimento do órgão).

Aqui, estamos falando de uma lesão pré-maligna – ou seja, com potencial de evoluir para câncer, especialmente quando é grande. Isso porque suas células já carregam alterações que antecedem a doença, algo que leva à necessidade de retirá-lo em quase todos os casos.

Pólipo no estômago pode virar câncer?

Essa é a dúvida que mais preocupa – e a resposta depende do tipo. O adenoma gástrico, por exemplo, é uma lesão pré-maligna, ou seja, tem potencial de evoluir para câncer de estômago ao longo do tempo. Por esse motivo, ele exige remoção sempre que identificado.

Enquanto isso, o pólipo hiperplásico tem risco baixo, mas não nulo, especialmente quando é maior ou apresenta displasia (alterações celulares importantes). Como ele tem relação com a infecção por H. pylori, tratar a bactéria costuma fazer esses pólipos regredirem e, por isso, nem sempre é necessário removê-los.

Já o pólipo de glândulas fúndicas tem risco praticamente nulo, com exceção de quadros ligados a síndromes genéticas, como a polipose adenomatosa familiar. Dessa forma, quase nunca é necessário remover esse tipo de pólipo benigno no estômago.

Sendo assim, diferentemente do que muitos imaginam, ter um pólipo não é o mesmo que ter câncer, e é justamente por isso que a investigação faz diferença. No vídeo abaixo, explico mais sobre o desenvolvimento do câncer de estômago:

Diagnóstico de pólipos no estômago

O diagnóstico começa no exame que, na maioria das vezes, revela o pólipo por acaso: a endoscopia digestiva alta. Nela, uma câmera acoplada a um tubo fino percorre o esôfago, o estômago e o início do intestino, permitindo ver a lesão de perto. Ainda assim, visualizá-la não basta, pois o aspecto externo não revela o tipo de pólipo.

Por esse motivo, o passo decisivo é a biópsia do pólipo, processo no qual o médico retira um fragmento (ou o pólipo inteiro) para análise laboratorial. É esse exame que define se a lesão é benigna, se tem displasia ou se já apresenta sinais de malignidade. Durante esse mesmo procedimento, também é possível pesquisar a presença de H. pylori, já que a bactéria participa de vários casos.

Encontrar expressões de malignidade no estômago precocemente é importantíssimo especialmente pois pólipos (mesmo os pré-cancerosos), podem não causar sintomas. É aqui que entra o check-up digestivo – sobre o qual explico mais no vídeo abaixo:

Tratamento: retirar ou acompanhar?

Nem todo pólipo precisa ser removido, e nem todo pólipo pode apenas ser observado. O tratamento dos pólipos gástricos é individualizado e considera características como o tipo, o tamanho, a quantidade e a presença de displasia. De modo geral, a conduta segue os seguintes critérios:

Quando retirar o pólipo gástrico

A decisão de quando retirar um pólipo gástrico segue o comportamento de cada tipo, pois cada um carrega um risco diferente. Com base nas recomendações atuais, a orientação costuma ser:

  • Adenoma gástrico: retirada em qualquer tamanho devido ao potencial maligno;
  • Pólipo hiperplásico: retirada dos pólipos com mais de 0.5 cm, ou quando há displasia;
  • Pólipo de glândulas fúndicas: retirada dos pólipos com mais de 1 cm, numerosos com displasia ou suspeita de síndrome genética.

Retirada endoscópica: como funciona

Na maioria dos casos, a retirada de pólipo no estômago acontece já durante a própria endoscopia, em um procedimento chamado polipectomia. Nesse contexto, com o paciente sedado, o especialista usa o aparelho da endoscopia para passar instrumentos que ajudam a remover a lesão. Essa lesão, inclusive, é enviada para análise (biópsia).

Este é, em geral, um procedimento ambulatorial, sem necessidade de internação na maior parte das vezes. Aqui, vale lembrar que a polipectomia é, ao mesmo tempo, diagnóstica e terapêutica, pois retira a lesão e fornece o material que confirma o diagnóstico.

Quando a cirurgia é necessária

Em situações específicas, a endoscopia não dá conta de retirar o pólipo, e a cirurgia passa a ser o melhor caminho. Isso acontece, por exemplo, com pólipos muito grandes, com os que não podem ser removidos com segurança por via endoscópica ou quando a biópsia já revela um câncer que exige abordagem cirúrgica.

Nesses casos, como cirurgião do aparelho digestivo, avalio o quadro completo para definir a técnica mais segura, sempre com o objetivo de resolver o problema preservando ao máximo a função do estômago.

Como é o acompanhamento

Depois da retirada, o acompanhamento faz parte do tratamento. A vigilância por meio de novas endoscopias é definida conforme o tipo do pólipo retirado e a presença ou não de displasia, para verificar se novas lesões vão surgir. No caso dos pólipos hiperplásicos ligados ao H. pylori, tratar a infecção costuma acabar com o problema.

Se você descobriu um pólipo no estômago, ficou com dúvidas sobre o que fazer e está em Moema ou na região de São Paulo, uma avaliação comigo pode ajudar a esclarecer o tipo de lesão e a melhor conduta. Estou à disposição para analisar seu caso e definir, junto com você, se o caminho é retirar ou apenas acompanhar.

Dr. Pedro Canzian: cirurgião do aparelho digestivo em Moema, São Paulo

Formado pela Santa Casa de São Paulo, o Dr. Pedro Canzian tem aperfeiçoamento em Cirurgia do Esôfago e Estômago pela mesma instituição. Como especialista em esôfago e estômago, dedica-se ao diagnóstico e ao tratamento de condições como refluxo, hérnias, doenças da vesícula e lesões gástricas, entre elas os pólipos, com foco em uma conduta individualizada para cada paciente.

Atuando com cirurgia digestiva em Moema, São Paulo, o cirurgião do aparelho digestivo une a experiência cirúrgica a uma escuta atenta. Como especialista em estômago e cirurgião digestivo em São Paulo, acompanha o paciente do diagnóstico ao tratamento, com o objetivo de devolver segurança e qualidade de vida a quem convive com dúvidas sobre a saúde digestiva.

Mais sobre pólipos no estômago

Depende do tipo. O adenoma é uma lesão pré-maligna e pode evoluir para câncer, por isso é sempre retirado. Já os pólipos hiperplásicos têm risco baixo, maior quando há displasia, e os de glândulas fúndicas têm risco praticamente nulo na maioria dos casos. A análise da biópsia é o que define o real potencial de cada lesão.

Não. A necessidade de retirada depende do tipo, do tamanho e da presença de displasia. Adenomas são sempre removidos; hiperplásicos e de glândulas fúndicas seguem critérios de tamanho e características. Em parte dos casos, o acompanhamento periódico é suficiente.

Na maior parte das vezes, pela polipectomia endoscópica: durante a endoscopia, com o paciente sedado, a lesão é removida e enviada para análise. É um procedimento em geral ambulatorial. Quando o pólipo é muito grande ou não pode ser retirado com segurança por endoscopia, a cirurgia passa a ser considerada.

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